UMA EXPERIÊNCIA – JEFF GOODBY – CO-CHAIRMAN DA GOODBY, SILVERSTEIN & PARTNERS

Já assisti os Rolling Stones em Copacabana. Na primeira fila, assisti o Rush. Tony Bennett. Lady Gaga. Eric Clapton. Jethro Tull. David Gilmour. Philip Kotler na FIERGS. Peter Drucker, por videoconferência na HSM Management. Tom Peters. Michael Porter (várias) David Droga, Nick Law, Bob Greenberg e tantos outros no Ojo.

Jeff Goodby, foi a primeira vez…

O cara é um mito, com uma agência que detonou tudo no início dos anos 2000.
Tá velho. Mas não ultrapassado. E ousado.
Jeff Goodby pregou que as agências devem ser mais provocativas, dando voz a seus jovens impertinentes e rebeldes.
Vândalos. Bons vândalos.
“Como boa publicidade, um vandalismo bom é engraçado, excitante e estará lá vivo, no dia seguinte”, disse ele, acrescentando que a expectativa e a maldade dele mesmo ter sido o que ele chamou de um vândalo como adolescente foi o que o tornou tão bom como criativo.

“Mr. Goodby”, de uma maneira quase infantilizada listou didaticamente, para começar, o que ele chama de “Os cinco passos para a criatividade de Jeff Goodby”:

• Escolher um caminho diferente para ir ao trabalho todos os dias (enxergando outros lados da rotina;
• Exercitar desenhar ou escrever com a mão errada;
• Escrever as coisas, tudo o que lhe vem à cabeça, em exercícios de lembrança e de mash-up concepts;
• Estudar piadas (É sério): ele disse que há mais publicidade em um livro de piadas do que nas páginas da Adertsing Age. O toque, aqui, é explorar a estrutura das piadas. Mudando uma personagem, uma frase, um elemento, temos muitas vezes um jeito divertido de contar uma boa história.
• Manter constante estado de prontidão para fazer algo provocativo ou impertinente no mundo.

(Sim, se você achou meio deslocado isso, concordo. Mas o recado era claro: Estude. Fuja da rotina. Criatividade é exercício…)

Bem, ele voltou ao tema, felizmente:

Uma forma de promover vandalismo, segundo ele, é construí-lo em casa.
Para isso, os funcionários devem ter a liberdade e as ferramentas para fazer as coisas que lhes interessam ou com as quais que eles se preocupam mais ou tem mais interesse.
Por exemplo, a Goodby, Silverstein & Partners tem um bando de engenheiros meio soltos na agência criando loucurinhas, tais como uma máquina de alimentação para Doritos, que funciona a partir de uma mola.
Resultado: Dá para fazer o lanche de mãos-livres.
E quem já comeu Doritos – principalmente aquele que solta um pozinho vermelho de cheiro inenarrável – vai facilmente perceber a vantagem disto.
Mas esse grupo faz mais:
Criou uma experiência de realidade virtual sobre uma pintura de Salvador Dalí com Oculus Rift no Museu Dalí em St. Petersburg, Florida, que gerou uma campanha simplesmente incrível.
Vale a pena dar uma olhada:
www.youtube.com/watch?v=F1eLeIocAcU

“Quando se trata de ser provocativo, às vezes você tem que “correr para onde o fogo está, para os assuntos que a sociedade está debatendo. Isso causa muito impacto e relevância.” – disse Goodby.

E explicou que funcionários da agência se encarregaram – através de uma sugestão de um dos seus planejadores – para criar um emoticon anti-bullying (veja o artigo na AdAge).

“Vândalos são pessoas que perseguem resultados, não necessariamente recompensas. É assim que as coisas se tornam famosas”, disse ele.
A agência também trabalhou com Frito-Lay, com sede no estado conservador do Texas, para desenvolver um “saco de batatas fritas subversiva”, disse Goodby.
A agência ajudou a lançar a série Arco-íris Doritos para mostrar o apoio da marca para com a comunidade LGBT. Para cada saco da série limitada de Doritos comprado, uma doação foi feita à ONG que ofereceu o melhor projeto. E os sacos foram vendidos em 12 horas.

“Fazer as coisas que as pessoas gostam, que são diferentes, grandes, fazer o lhes vêm à cabeça é fazer com que a maior parte dos canais de mídia siga nos olhando”, disse Goodby.

Ele destacou que hoje a agência mantém um bem estruturado departamento de produção de conteúdo próprio, gerando vídeos, músicas, fotos, podcasts, Gifs, etc.

“Seja corajoso – estamos todos correndo inexoravelmente para sermos ultrapasados no final por outras pessoas ou pela ação do tempo. Não se conforme. É isso o que eu chamo de ter um espírito de vandalismo”

 

Luciano Vignoli Luciano Vignoli é Diretor-Presidente e Planejamento da e21
luciano@e21.com.br