Tecnologia e música em Cannes

Cannes já acabou, mas, como sempre, rende inspiração e assunto pra ser observado e discutido por muito tempo. Depois de comentar sobre as palestras de Bob Greenberg e Martin Sorrel, Alberto Meneghetti conta pra gente sobre outros dois grandes encontros. Tim-Berners Lee falou sobre tendências na área tecnológica, enquanto o músico Pharrell Williams discutiu criatividade e entretenimento. Vale a leitura:

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Numa das palestras que assisti no Festival de Cannes, um simpático sessentão assume o palco e começa a falar, apaixonadamente, sobre Inteligência Artificial e como isso mudará nossas vidas. Era ninguém menos que Sir Tim-Berners Lee, o cara que possibilitou que a maioria dos presentes no enorme auditório estivessem teclando desesperadamente pela web e nem prestando atenção no que ele falava. O brilhante físico britânico, cientista da computação e professor do MIT, implementou a primeira comunicação bem-sucedida entre um cliente HTTP e o servidor através da internet, desenvolvendo o hipertexto e formando, aí, a World Wide Web, que transformou o mundo. Suas previsões foram até assustadoras, sugerindo que, se não aprendermos a controlar as máquinas, elas aprenderão a nos controlar. Agitado, Tim-Berners não mostrou um slide sequer, mas deu seu recado de maneira exemplar.

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Uma palestra que lotou o Grand Audi foi a do músico Pharrell Williams, outro convidado que, aparentemente, não tem nada a ver como “advertising”, mas que tocou a audiência com uma reflexão sobre como a música afeta e influencia o comportamento das pessoas e também sobre como funciona o seu processo criativo, que hoje envolve entretenimento, moda e criatividade. Sua frase “Yes I heard that. But what did I feel?”, reflete sua preocupação com a falta de intenção aplicada na criação, de um modo geral, não se referindo apenas a indústria da música.

“Intention is everything. You know your mother’s cooking because of what? Because of her intentions.”, sintetizou Pharrell.