Os Influenciadores Digitais como Estratégia de Relacionamento entre Marcas e suas Seguidoras na Maternidade – Parte 3

Hoje vamos encerrar a série de posts baseados no trabalho de conclusão do curso de graduação de Relações Públicas da nossa Gerente de Estratégia, Priscila Abreu (a Pri). A pesquisa teve como tema a influência dos produtores digitais na construção da identidade materna, e um dos principais objetivos era analisar a relação entre esses perfis e suas seguidoras nas redes sociais. Agora, vamos para as considerações finais.

A facilidade de acesso à informação e a interação entre as pessoas, ainda que desconhecidas, nos últimos tempos contribui para que cada um pudesse entender e se identificar através de diversos temas. E isso também se aplica às mulheres, que passaram a conversar mais sobre seus direitos e deveres na sociedade. O que pode ser observado é que, entre diversos assuntos, um dos mais explorados no universo feminino é a maternidade.

Segundo a Pri cita na pesquisa, esse momento exige da mulher uma reconstrução, incluindo uma nova visão sobre o que é ser mulher e, além disso, sobre o mundo e da sociedade que a cercam. Assim, as conversas nos canais dos influenciadores também fomentaram uma rede de conexões poderosa de troca de experiências e compartilhamentos positivos, e fizeram com que milhares de mulheres pudessem se conectar, empoderando-as como nunca.

“Sendo assim, percebe-se que as mães da geração atual foram presenteadas por um canal de comunicação mais aberto, tornando-as mais conscientes de que precisam de ajuda, e que a conquista da jornada tripla de trabalho fez com que elas precisassem ainda mais de apoio e, além de se permitirem serem imperfeitas. E através desse contexto, existe um movimento constante de troca de apoio das mães uma com as outras. E não há mais como negar que, entre uma teclada e outra dessas mulheres, decisões importantes sobre consumo e comportamento ocorrem de forma significativa, além da reputação e imagem das marcas e seus produtos em vários segmentos”, escreve a Pri no trabalho.

Com essa nova forma de interagir e construir relações, dicas e opiniões interessantes sobre a maternidade estão disponíveis para qualquer pessoa, influenciando milhares de outras mães. Os produtores de conteúdo conquistaram a confiança desse público, tornando-se protagonistas junto a suas seguidoras, desencadeando uma considerável visibilidade para esses atores sociais, como observado através dos influenciadores digitais Shirley Hilgert, responsável pelo Macetes de Mães e o casal Hilan e Luíza Diener, responsáveis pelo Potencial Gestante.

Além disso, pode-se perceber que uma nova forma de comercialização de estratégias na comunicação foi estabelecida, para criar uma conexão entre as marcas, agências e influenciadores que tinham como objetivo se relacionar com essas seguidoras, sedentas por informações e novas soluções nessa nova jornada.

Os dados da pesquisa da Priscila indicam que existe uma demanda considerável entre os influenciadores digitais e as marcas ou produtos no processo de consolidação de imagem e reputação perante as seguidoras. Ao longo de três anos da Top Mothers, por exemplo, foram desenvolvidas, em parceira com os agenciados, mais de 300 campanhas publicitárias.

Confira as principais considerações da pesquisadora:

– Ao contrário de outros segmentos, a maternidade possui uma característica mais voltada para a cumplicidade e amizade entre as seguidoras e os influenciadores.

– O acesso à informação potencializou ainda mais a postura colaborativa das mulheres, principalmente quando mães.

– O julgamento é algo muito latente entre as mulheres, principalmente na maternidade.

– A conquista da jornada tripla de trabalho fez com que essa nova geração de mães reconhecesse suas imperfeições e buscasse apoio;

– Entre uma teclada e uma chupeta, ocorrem discussões importantes sobre marcas e seus produtos.

– As novas estratégias de relacionamento precisam ser mais verdadeiras e ter sinergia com os valores desses influenciadores.

– Agências e marcas pecam sobre o conhecimento do perfil dos influenciadores selecionados.

– 87% das seguidoras gostam de conteúdos patrocinados.

– Com uma ação mal elaborada nesse ambiente, tanto as marcas quanto os influenciadores recebem críticas de forma instantânea.

– 93% das seguidoras afirmam que seguem as dicas dos canais midiáticos, geradas pelos influenciadores.

E concluindo, com as palavras da Pri: “através desse trabalho, me emocionei várias vezes, lembrei das gerações de mulheres que me antecederam, como minhas avós e minha mãe, gerações que não tiveram a oportunidade que estou tendo, de poder contar com uma rede global acerca dos desafios de ser mãe, de poder discutir sobre a equidade dos direitos, e ter o apoio adequado para exigir uma figura paterna ativa na criação do meu filho e ser ouvida em qualquer lugar do mundo no conforto da minha casa. Além disso, vale ressaltar que essas crianças serão impactadas e criadas de forma diferente, por terem mães mais conscientes sobre o mundo. Então, desenvolver uma mãe, sempre foi desenvolver uma geração inteira, de homens melhores, de mulheres mais fortes e cidadãos, acima de tudo, mais conscientes sobre o consumo e menos manipuláveis.”