O que aprendi sobre redes sociais com o Twisted Sister

É muito difícil explicar para alguém que desconhece o universo do rock, ou que não é da geração que transitou entre o analógico e o digital na adolescência, o que é Twisted Sister. Garanto que, para a maioria, são uns caras vestidos de mulher que apareceram no finado ‘Piores Clipes do Mundo’ da também finada MTV, cantando ‘We’re not gonna take it’.

Para mim, por muito tempo, foi essa a melhor definição.

Aí veio a Netflix com um documentário inteiro sobre a banda. “We are the Twisted fuckin’ Sister” mostra como aquela turma, que misturava glam rock com metal pesado nos anos 80, lutou contra o mundo para atingir o sucesso mundial. E mais do que isso, para mim foi uma aula de gestão de redes sociais que nenhum curso ou palestra vai ser capaz de dar.

Certo que deu um ‘erro 404’ na sua cabeça ao ler a última frase. Hoje, o conceito de redes socias está diretamente interligado ao digital, e numa resposta rápida de uma enquete do Buzzfeed, você escolheria como sinônimo o Facebook, o Twitter, o Instagram, o Snapchat… É aqui que erramos. Um grupo de pessoas com um interesse em comum pode constituir uma rede social. Colocamos a tecnologia em primeiro plano, quando na verdade o principal é o fator humano e o seu movimento. E isso o Twisted Sister fez (e faz) muito bem. Por isso, listei algumas das coisas que aprendi conhecendo a história da banda e que, se não reforçam questões que deveriam ser aplicadas em qualquer trabalho de social media, fazem a gente refletir sobre como melhorar.

(P.S.: sem spoilers, claro!)

1) Pense global, aja local.

Odeio começar com um clichê cretino desses, mas às vezes precisamos deles. O sonho da banda era ganhar o mundo, mas de nada adiantava se eles não tivessem uma base coesa de fãs que lhe apontasse o caminho para isso. Por anos eles tocaram em pubs, em pequenas cidades, conquistando uma pequena legião de fiéis que os acompanhava em todos os shows. Se fosse nos dias de hoje, poderíamos dizer que o Twisted Sister tem um baixo número de seguidores, mas um potencial de engajamento superior. É normal querermos expandir os horizontes das marcas que administramos em busca de novos fãs, mas devemos nos dedicar também àqueles que estão lá desde o início.

2) Não tenha medo de mudar a sua estratégia.

O Twisted Sister surgiu como uma banda de caras grandes e maus. Até se tornarem uma banda de caras grandes e maus vestidos de mulher. A mudança de mindset foi grande, mas foi ela que consolidou a banda no cenário do rock americano. Quando a sua estratégia de redes sociais não dá certo, você persiste no erro ou tenta algo diferente para se comunicar com o público?

3) Seja autêntico com os valores da marca.

O Twisted Sister criou um estilo único que conquistou os fãs. Tanto que quando a banda anunciou uma turnê mundial, e que nestes shows ela se apresentaria sem maquiagem, os fãs ficaram furiosos. Na administração de redes sociais de uma marca precisamos entender quais os valores que cativam o público e como trabalhar com eles. Se a estratégia de conteúdo mudar, o desafio está em não deixar a chama destes valores se apagar.

4) DADOS, DADOS E DADOS!

Análise de mercado, concorrentes, comportamento dos fãs… Tudo isso contou para que a banda montasse uma estratégia para se manter no cenário musical de shows na periferia de NY. Hoje temos um arsenal de informação gratuita gigantesco a nosso favor na hora de elaborar um plano de redes sociais. Deixe os achismos de lado e foque nos dados que achar mais pertinente para o resultado que deseja alcançar.

5) Não existe estratégia sem investimento.

Em um momento da história, a banda estava consolidada no cenário underground, com uma base de fãs incríveis, mas não conseguia despontar nacionalmente porque não tinha uma grande gravadora por trás. No nosso caso, quem nunca pegou um projeto para criar um “viral baratinho”? Você pode fazer o melhor conteúdo do mundo, mas sem verba para entregar ele às pessoas certas, não há resultado. Um plano de conteúdo baseado em dados como guia, aliado a um investimento de mídia justo, levando o conteúdo da sua marca para quem tem interesse é a receita do sucesso.

6) É rock and roll!

Ser analista de redes sociais é um trabalho sério, que exige inteligência, percepção, agilidade e concentração, mesmo que o resumo do seu trabalho, para algumas pessoas, seja “ficar no Facebook o dia inteiro”. Encare com seriedade e responsabilidade algumas regras que as boas práticas indicam, mas não deixe nunca de inovar! Descubra como aproveitar melhor os recursos de cada rede – quem sabe até um novo uso para os stickers do Instagram? Troque tudo quando necessário. E não tenha medo de explicar para o cliente que as práticas atuais agora não são mais efetivas. Assim como o rock, a internet está em constante evolução, num ritmo muito mais rápido do que os acordes de uma guitarra possam acompanhar.

 

Piero Barcellos é coordenador de conteúdo na e21.

 

Publicado anteriormente no Linkedin do autor e no site Coletiva.net.