O impacto do Tesarac na agência de comunicação

Pois bem, inicio essa reflexão afirmando que estamos vivendo um tesarac. Peter Drucker, escritor austríaco, citava essa expressão nos últimos anos de sua vida. Assim como dizem os sociólogos que estudam o impacto da tecnologia em nossas vidas.

Tesarac quer dizer mudança profunda. Daquelas tão profundas que nos tiram o norte. Esse termo foi cunhado pelo americano Shel Silvertein e indica momentos da história em que a sociedade se torna caótica e desorganizada até que surja uma nova ordem e a recomponha. Tesarac, para o poeta, era isso: um vácuo. Um evento tão brutal e aterrador que transforma a vida. E é nesses momentos que precisamos agir de maneira rápida e corajosa, lançando-nos de forma entusiasmada rumo ao desconhecido.

Mas como fazer isso quando estamos presos em paradigmas e certezas que nos seguram no passado?

Reflito todos os dias sobre esse tema, e depois que li essa provocação no livro de Walter Longo e participei do El Ojo em Buenos Aires, não parei mais de pensar e questionar sobre essa sensação, pois é isso mesmo, um sentimento que está presente o tempo todo, entre colegas, familiares e amigos. Em função dessa inquietação geral, independentemente do público ou área de atuação, que tento observar ainda mais.

Muitas vezes, percebo que estamos pensando de forma linear num mundo que muda de forma exponencial.  Preocupados em resolver pendências, sem olhar atentamente as tendências. Enfim, respiro e penso: o ritmo é outro. Na maior parte do tempo estamos apegados a rituais de planejamento que estabelecem metas para períodos que não condizem com a realidade.

A complexidade que o mercado de comunicação adquiriu nos últimos anos traz, entre tantos desafios, o da formação de profissionais, sejam novos talentos ou em plena atuação em diferentes áreas de uma agência.

Importante lembrar, assim como o escritor Clay Shirky comentou certa vez, que a verdadeira revolução não acontece quando a sociedade adota novas ferramentas, e sim quando adota novos comportamentos.  Para os profissionais de mídia, a tarefa é ainda mais árdua no meio desse tesarac, requer profundo conhecimento técnico e gerencial sobre todas as plataformas, além de se tornar cada vez mais híbrido e multidisciplinar.

Aprender, desaprender e reaprender.

O momento atual exige coragem para revisar paradigmas, não só do profissional de mídia, mas de todas as áreas. O ambiente está cada vez mais competitivo, o mercado está cada vez mais fluído e imprevisível. É necessária uma visão mais ampla e holística do profissional que quiser se destacar no mercado.  Acreditar, entretanto, apenas no conteúdo oferecido pelas universidades ou pelas empresas é ineficiente. É fundamental a compreensão do desenvolvimento pessoal por cada um de nós. A curiosidade nunca foi tão importante, além do poder de resiliência nesse momento tão intenso. No meio da transformação, há desafios. O mais importante de tudo, é ter consciência dessas mudanças, mapear a tesarac enquanto ela ocorre. Tarefa difícil, mas vale muito tentar.

 

Priscila Abreu

 

Priscila Abreu é Coordenadora de Mídia

priscila.abreu@e21.com.br