É possível copiar algum modelo já utilizado lá fora?
Copiar, exatamente, é difícil. Mas, por exemplo, os vinhos produzidos fora do eixo França e Itália eram quase ridicularizados. Eles trabalharam sua abundância, variedade, tipicidade criativa e venceram.

Que característica o Brasil precisa vender como a nação do agronegócio?
Acredito que ser revolucionário por explorar muito bem sua diversidade, com inteligência e sustentabilidade.

Por onde começar?
Apoiando cada região – o ideal seria cada microrregião – no sentido de destacar ou valorizar os seus diferenciais de produto. Quanto mais a linguagem local vender a ideia de qualidade, mais a ideia global de diferenciação diversificada se estabelece. A especialidade dos rebanhos europeus no Sul do País, as frutas do Nordeste, o café mineiro, o arroz gaúcho. Enfim, quanto mais os produtores trabalharem os seus diferenciais, mais a imagem de excelência global se consolida.

Quem são os agentes desse movimento?
As associações de produtores, as cooperativas, as prefeituras. Esse movimento deve ser amplamente descentralizado. Quanto mais cada um fizer o seu trabalho, melhor fica para todos.

Por que esse movimento não ocorreu até agora?
A revolução da agricultura brasileira foi amplamente sustentada pela missão de batermos recordes em produção de commodities. E o País fez isso. E com manejos cada vez mais tecnificados e maior competição, as margens se achataram para os produtores, principalmente para os pequenos e médios. Agora, esses produtores começam a procura por agregar valor aos seus produtos, não somente buscando novos patamares de qualidade, mas inserindo-se na sociedade de modo consciente e diversificado. Exemplos são os produtos orgânicos, as práticas sustentáveis, a integração com a natureza, entre outras práticas. Tudo isso ainda está engatinhando, mas como fenômeno mercadológico isso veio para ficar.

Se o Brasil pudesse ser comparado como um produto à venda, qual seria?
Com otimismo, o Brasil poderia ser a Tesla do agronegócio global: novo, diferente e cool.