FALANDO SOBRE CULTURA EMPRESARIAL

Uma das sessões mais surpreendentes foi conduzida por dois caras bem diferentes:

o CEO de uma ONG Andrew Yang (Founder and CEO, Venture for America) e
um empresário (um tipão atiradão, boné, camiseta podre, bota suja, saca o tipo?) – Ryan Smith (Co-Founder and CEO, Qualtrics) – que emprega 1.400 pessoas nessa empresa que é basicamente uma superplataforma digital de pesquisa.
Numa de suas especialidades, ele fala de uma plataforma de pesquisa interna com Employees Insights, ou seja, em como capturar sugestões e processos de melhorias a partir dos funcionários.

Interessante, sem dúvidas, mas a pergunta que não queria calar era o processo de “Cultura Empresarial” era:

“Como fazer com que as pessoas que trabalham em uma empresa sirvam “uma causa” antes de servir um chefe”.

Neste cenário, Andrew, um chinesinho de ar muito ligeiro, provocou:

“Muito se fala em Turn-Over, em gerações X, Y, Z. Mas pouco se fala na formação de líderes inspiradores, capazes de fazer com que os jovens olhem e digam: “Wow! Quero ser como esse cara!”

As pessoas são contratadas pelas empresas, mas se demitem de líderes burocráticos, autocráticos, entediantes.

Uma sugestão, já: Parem de investir em comida (Bagel-Friday; Donut-Monday, essas bobagens) e mesas de pingue-pongue e invistam em líderes que sejam pequenos ídolos no dia-a-dia das pessoas.”

Mas, prestem atenção neste detalhe:

“Quando falamos de lideranças, esqueçam aquelas velhas formas de liderança pelo exemplo. O cara que trabalhava duro, com dedicação, entusiasmo e muito sacrifício, já, por si só, não serve mais”.

“Em tempos de Facebook” – disse Ryan, complementando de forma irônica – “Fica beeem difícil liderar pelo exemplo. Sou um cara na empresa, no meu final de semana, pegando todas, tomando todas, sou outro. Ou seja, nem sempre sou um bom exemplo…”

Nesse sentido, eles exploraram bem o tema Líder Inspirador:

“Próximo, ágil, com experiência (liderança exige maturidade e certo tempo), desafiador, inquieto, quase insuportável, exigindo mais e mais da performance de cada um…”

Um desafio para as agências americanas apontadas pelo moderador, suportado por dados interessantes (Qualtrics):

96% dos publicitários americanos, acha que consegue um novo trabalho em 1 ou 2 meses, e melhor do que exerce hoje;
O turn-over de agências é 10% maior que qualquer indústria de serviços de alta competitividade;
As pessoas não vêem possibilidades de crescimento na empresa, nem são estimuladas pelo líder para fazer isso;
Os profissionais não encaram seu trabalho como uma experiência profissional. Ao contrário, acham uma rotina aborrecida conduzida por superiores chatos;
Não tem orgulho do lugar em que trabalham;
25% da migração recente de talentos, ocorreu para empresas como Accenture, IBM e Price-waterhous Coopers (focadas em consultorias diversas);
Sobre isso, Ryan complementou:

“Até pouco tempo atrás, as agências perdiam talentos para outras agências. Hoje, perdem talentos para consultorias – como acabamos de ver – para fornecedores, para novos entrantes (agências digitais) e, pior, para os clientes. Clientes fortes, agências fracas. Não é uma boa receita, provocou”

Todos concordaram que aquela máxima dos 2 pedreiros que estavam trabalhando na construção da Notre-Dame em Paris que, quando perguntados o que faziam, um deles respondeu que “Assentava tijolos” enquanto o segundo disse que “Construía catedrais”, faz toda a diferença.

“Uma Missão é a declaração de empoderamento mais forte para as pessoas, é um sentido para sua vida profissional. Empresa que não tiver clara essa cultura, não gera o empoderamento em sua equipe.”

As agências, segundo eles, precisam agir agora.

Como:

Estabelecendo sua Razão de Existir de forma clara, dividida com todos;
Mostrar como o trabalho de cada um é importante para o todo;
Destacar as vitórias como construção coletiva;
Entender as derrotas como aprendizado e trata-las em separado;
Criar projetos de crescimento;
Emoldurar as oportunidades de trabalho. Vender a agência. Ser procurado, em vez de procurar.
Ser transparente: Dividir tudo;
Ser coerente: A empresa não pode trair o que diz de suas crenças e valores;
Ser autêntico.

 

Luciano Vignoli Luciano Vignoli é Diretor-Presidente e Planejamento da e21
luciano@e21.com.br