FACEBOOK x AGÊNCIAS – TEMOS ALGUMA COISA EM COMUM?

A apresentação de Carolyn Everson, VP Global Marketing Solutions do Facebook foi muito boa.
E, sob certo aspecto, surpreendente, pois ela disse com toda a cara de pau do mundo que esse é um momento claro de preocupação e disrupção…para o Facebook!

Ei, amiga, como assim?
E o que sobra pra nós?
Não temos no Facebook o que de mais moderno existe em plataformas digitais?

“No começo, o Facebook era uma operação desktop. Tudo funcionava bem, baseado em textos.
Daí, o consumidor mudou para Mobile. E a empresa teve que se virar.
Eis que o consumidor mudou mais uma vez e passou a valorizar a imagem.
Gifs. Fotos. Vídeos. Emoticons. E lá vamos nós atrás de tudo de novo.
E é uma coisa atrás da outra…
E isso derruba toda a nossa tecnologia.
Em 5 anos fomos 5 empresas diferentes.
Agora, estamos nos preparando para a conectividade absoluta (seja isso o que for) e a realidade virtual.”


E alertou:

“Uma coisa é bem verdade: Quem pensa que as mudanças atingem somente as empresas de tecnologia, comete um erro de visão primário.
Deveríamos estar todos nos colocando fora da zona de conforto.
Mark (Zuckerberg) diz sempre que a Kodak se foi, que a Blockbuster se foi, e enquanto as empresas afundavam – pergunta ele – será que não havia ninguém que percebesse o desastre? Que dissesse:
“Ei, vamos morrer! Que tal tentar mudar?”

Sobre o fundador do Facebook, ela disse:

“Mark é um cara superaberto, que fala de tudo sobre a empresa e divide as informações com todo mundo. Ele também é absolutamente exigente e desenvolve em todos uma paranoia pela destruição do negócio por concorrentes que ainda nem foram inventados.
A sensação que percorre toda a companhia de nunca, em nenhuma hipótese, estar satisfeito com as coisas vem diretamente dele”.

E prosseguiu:

“Nos últimos 18 meses a minha noção sobre uma boa noite de sono mudou muito (risos)…
No Facebook, recebermos telefonemas (sic!) à uma da manhã para trocarmos impressões sobre uma ideia que alguém teve são comuns.
Temos bilhões de usuários. Temos bilhões de clientes. Trabalhamos bastante…”

Evelyn desenvolveu uma longa tese considerando que, sim, a visibilidade (via web), os ad-blockers, a necessidade de uma transparência financeira absoluta, a monetarização dos impactos, as métricas, que a revolução digital, enfim, sim, tudo é uma ameaça para as agências.

Mas contemporizou:
“O mercado publicitário se caracterizou pela disrupção constante.
Desde os primórdios, revistas ameaçaram os cenários de domínio dos jornais, o rádio foi ameaçado pela TV, que declarou sua própria suposta morte com TV fechada, enfim…
Esse mercado é um exercício permanente de resiliência.
Bem, surge um desafio novo (e bem maior): a web que empodera o consumidor de maneira sem precedentes.
Oportunidade: organizar o caos! Dificuldade: esquecer os dias de MadMen, focados na campanha, na peça, na única ideia salvadora que vai permanecer em voga por anos.”


E seguiu:
“Quem sou eu para dar receitas de funcionamento, mas eu pregaria uma empresa aberta, integrada, ágil, sem silos, combinando estratégia, criatividade e tecnologia.
Praticante de um novo jeito de pensar e agir, no qual a visão do consumidor, seus interesses, suas diferentes visões de mundo sejam absolutamente predominantes na política da marca.”