EL OJO DE IBEROAMÉRICA 2016 – O CASO GREY: UMA TRANSFORMAÇÃO RADICAL A PARTIR DE COLABORAÇÃO RADICAL PARA CRIAÇÃO RADICAL

Eis que seguimos por aqui, fazendo uma tentativa – sinceramente esforçada – de passar ao menos um overview do que de melhor assistimos no El Ojo de Iberoamerica 2016, festival que aconteceu há exatos 30 dias atrás, em Buenos Aires, no seu tradicional local, mais precisamente no recentemente reformado Hilton de Puerto Madero.
Alain Groenendaal, Presidente & CEO, da Grey Latin America at Grey Group, subiu ao palco para uma palestra com o sugestivo (sic!) título de…
“O poder da criatividade no espaço de trabalho.”

Texto 4

Confesso aqui meu ceticismo antecipado em relação ao tema desta palestra: Falar de criatividade e agência não é tema por demais explorado?

Será que já não falamos tudo?
Bem, a meu ver, ele mostrou firmemente que não.
E como…
“Em 2007, a Grey era um verdadeiro desastre” – começou ele num exercício de autoanálise de uma sinceridade contundente.

E não baixou a guarda.
“Tudo estava péssimo: Nossas receitas, além de baixas, assinalavam que iriam cair cada vez mais. Estávamos sem rumo. Perdemos 9 clientes em 2 anos. E o pior: Não ganhávamos nenhum conta. Como continuar assim? Onde iríamos parar?”

Ele falou mais:
“Nossa estrutura era grande, massacrante, burocrática, entristecida. Nossas lideranças não inspiravam. Nosso trabalho era repetitivo, cansativo, simplesmente medíocre…”

E veio o vaticínio:
“E então o New York Times, em sua cobertura de mercado, decretou: Grey’s game is over!”
Silêncio.
“Simples assim…”

Ironizou, então:
“Acho que estava na cara que a agência que tinha que mudar…”
A partir daí, Alain Groenendaal enfatizou as etapas de verdadeira transformação da agência, processo liderado por ele no sentido de recompor sua atuação no mercado.
1. Injeção de Cultura – A agência fez uma leitura clara de sua trajetória atrás da resposta para a seguinte pergunta:
a. No que somos bons?
b. O que fizemos em nossa trajetória que nos tornou percebidos?
2. O resgate do Posicionamento – Famously Effective. Esse é o ponto. Ser efetivo. Fazer a diferença. Total foco em trazer pessoas que vão atrás de grandes soluções (de negócios, de comunicação de marca, de promoção) e não atrás somente da solução do job medíocre.
3. Cultura criativa gera êxito no negócio – Todos precisam lutar pelo melhor, pela viabilização de uma ideia diferenciada. Se todos não fizerem a sua parte, as ideias morrem e impera o lugar-comum.
4. Mantra: Bons trabalhos dão o que falar – São as campanhas, os projetos, os resultados finais percebidos pela sociedade que fazem a reputação de uma agência. Não são somente as pessoas. Não é a marca. Nem a tecnologia. São as ideias que fazem uma agência.
5. Livre-se dos Creativity Killers – Em todas as empresas há pessoas que se destinam a destilar pessimismo e espalhar avisos de:
a. “Cuidado!”;
b. “Eu tô avisando…”;
c. “Eu sei. E conheço o cliente…”;
d. “Não vai dar certo”, etc.
São pessoas perniciosas a qualquer negócio.

Em uma agência, sua presença é trágica: O ambiente nefasto que criam, de vigilância excessiva, faz muito mal ao produto criativo final.
A evolução da Grey, a partir dessa virada foi impressionante.
Gerando projetos como o realizado para a Volvo (Life paint – Tintas altamente reflexivas aplicadas nas bicicletas) que reforçam a história da marca – “Segurança em todos os sentidos “ – e impactam a sociedade como um todo, a Grey efetivou sua transformação.
• Agency of the Year. Cannes. Effies. Ojo.
• As premiações de repercussão global voltaram.
• As contas voltaram.
• Os resultados voltaram.

“Não se trata aqui de um exercício isolado, de um homem só. Trata-se de valorizar os “Erros Heróicos” – aqueles que tentavam atingir o ponto mais alto da criatividade e, por ventura, não conseguiram. Trata-se de criar um ambiente de Colaboração Radical, de toda uma equipe envolvida em fazer o melhor, sempre, para cada cliente.”