EI, VAMOS DISCUTIR NOVOS MODELOS PARA AS AGÊNCIAS? – PARTE 2

Que baita painel dividido por Carl Johnson – Anomaly -, Elizabeth Ross – Periscope -, Tamara Ingram (J. Walter Thompson) e Barry Wacksman – R/GA -. Tanto que tive de dividir este report em duas partes.

(Sinceramente, vale a pena ler a primeira antes de seguir por aqui).

Para (re) começar, uma provocaçãozinha do mediador, teve uma pronta resposta de todos:

O que vocês acham que é bobagem (just bullshit, disse ele) discutir nesse momento de nossa indústria?

Carl Johnson cortou todo mundo:

“Nada!”

E explicou:

“Estes são os tempos mais complexos que já vivemos, e relegar assuntos a segundo plano pode ser fatal. Eu não considero discutir nenhum assunto hoje em dia uma bobagem. Nenhum aspecto. Nenhum contexto.

(“I’m not calling bullshit on anything,” ele disse).

 Porém, Beth Ross alertou:

“Há um tipo de ‘bullshit’ produzido por nós que é absolutamente irrelevante: As respostas fáceis e padronizadas. Tipo, ‘Mamães amam seus filhos. Vamos fazer um anúncio mostrando uma foto bonita de uma mãe amando seus filhos’. Anúncios com pessoas interagindo sorridentes, ilustrando qualquer campanha de seguros a pasta de dentes. Ora, o consumidor hoje está mais informado do que nunca, não aceita mais esse truque. Isso é bullshit!”

 Barry Wacksman, VP-Global Chief Strategy Officer da R/GA, trouxe um outro lado para a discussão:

“Há um apetite por mudanças por parte do mercado. Todas as melhores companhias – em função de um mundo hipercompetitivo, hiperglobalizado e hiperconectado – oferecem cada vez mais os mesmos serviços: pesquisas, dados, comparações. Isso não é mais diferenciação.  A grande questão é: quem é capaz de ajudar seus clientes a crescer?”.

 Tamara Ingram:

“Precisamos investir em nosso pessoal. Precisamos de ideias novas, vindas de novas pessoas,  com novas aptidões. Precisamos de outros perfis além de publicitários. Ou de outro perfil de publicitários. Mas, acima de tudo, precisamos de gente que viva a vida do cliente, que sinta suas dores e saiba como cura-las. Simples assim.”

Carl Johnson:

“Para valermos a pena, temos de ser indispensáveis, “indemitíveis”. Podemos ser a solução mais cara, desde que sejamos a melhor. Temos de ser intensamente necessários. Precisamos fazer com que nosso trabalho gere tamanho impacto na vida dos consumidores, que eles acabem gerando um super impacto na vida de nossos clientes. Essa é a melhor otimização de investimentos que podemos oferecer aos clientes.”

Beth Ross:

“Falamos de hipercompetição, hiperconexão, hiperinformação, hipersensibilidade. Mas e de hiper-habilidade, falamos? É a habilidade, em tempos complexos, de gerar soluções simples, impactantes, diferenciadoras. Esse tem de ser o nosso foco. Não simplesmente resolver uma tarefa, mas sim criar valor para o cliente.”

Barry Wacksman:

“Hoje, estamos  apaixonados por dados. Seria para esconder algo? Nossa incapacidade de fazer a diferença?”

 Tamara Ingram:

 “Os valores centrais de nossa atividade – resolver problemas de negócio,  através de estratégias inovadoras – não podem mudar. As capacidades, sim.”

Beth Ross:

“Consultoria não é fazer o que o cliente quer, mas o que precisa ser feito.”

Carl Johnson:

“Nada como uma boa agência ter a nossa energia de criação coletiva. O cliente sabe disso. E quando ele não valoriza nosso trabalho, ou ele é o cliente errado, ou o trabalho está errado!”