Concorrências – Por que mesmo devemos trabalhar de graça? – AAAA's TRANSFORMATION 2016

 

Bill Konigsberg, CEO da Horizon Media, falou um pouco sobre as concorrências profundamente especulativas que assolam o mercado americano (Ei, seria só o americano?).

Seu recado foi claro:

“Os gastos das agências nos Estados unidos, com concorrências, somaram mais de 400 milhões de dólares em 2015 (medido pelo time-sheet/médio dos profissionais de agências envolvidos).”

E concluiu:

“Faz sentido entregar de graça (ou quase) para os clientes todo um capital de conhecimento adquirido por toda uma história, pelas pessoas e pelas agências?”

(Complemento eu):

Imaginem a zona de conforto que fica um cliente:

1 – Ele tem um problema;

2 – Ele tem uma verba;

3 – Ele abre uma concorrência;

4 – Dez agências participam;

5 – Dez ângulos diferentes de solução são apresentados;

6 – 9 sairão de graça!

“Vocês fazem concorrência de graça para resolver seus problemas médicos pedindo diagnósticos para suas mazelas e só pagando se você “o aprova”? E para projetos arquitetônicos? Vocês fazem concorrência para restaurantes? Faz algum sentido?” finalizou ironicamente…
MAURICE LÉVY – WORLDWIDE CHAIRMAN & CEO DO PUBLICIS GROUPE – UM CLÁSSICO

E eis que para começar os trabalhos, de verdade, entra um dos caras que, hoje, define esse nosso negócio. A palestra tinha o provocativo título de “The end of advertising as we know it!” ou “O fim da propaganda tal qual a conhecemos”.

A apresentação (ele tinha o tempo máximo de uma apresentação por aqui: 30 minutos!) foi encadeada, irônica, charmosa, e Lévy, com o sotaque francês que o caracteriza, levou seu conteúdo calmamente, mas enfaticamente, com cada frase como o Bolero de Ravel, com cada nota em seu lugar e uma absoluta contundência em cada lâmina.

“Somos o maior inimigo de nós mesmos. Damos vazão, popularidade e importância a temas como:

Ad-Blockers;

O fim da mídia de massa;

A desconfiança das habilidades das agências;

A desintermediação; etc.

Ficamos pregando nós mesmos o nosso fim. Por que? Nenhuma outra indústria faz isso. E olha que faz mais de cem anos que vaticinamos o nosso fim.”

E continuou:

“Não é o fim do caminho. Eu garanto isto. Temos muito futuro pela frente.

E nem mesmo somos nós quem mais tem de se reinventar. Imaginem os desafios para os clientes instalados em setores ditos tradicionais.

Über vem e destrói um negócio secular de transportes públicos;

Facebook, Google e Youtube vem e derrubam o modo de distribuir conteúdo;

A Apple acaba com os substratos físicos para a música;

Airbnb vem e ataca o ramo hoteleiro e imobiliário;

Netflix torpedeia a TV aberta ou fechada, tanto faz;

Amazon arrasa com o varejo tradicional;

Aí o Alibaba vem pra derrubar a Amazon globalmente;

Os exemplos se sucedem…

E vocês acham que são as agências que estão em crise?”

E tem mais:

“Pensem como eles – os clientes – vão enfrentar a nova realidade com os consumidores 100% digitais, empoderados, superinformados, ativos, hiperestimulados e multicanais? Eles estão perplexos, garanto.”

Mas, alertou:

“Sim. Como eles, temos de nos reinventar.

Sim as pessoas estão Always-on. Going mobile.

E precisamos transformar nossas operações para emitir mensagens que façam sentido para elas.

Precisamos inovar. Adaptar. Melhorar. Engajar. Precisamos gerar experiências. Precisamos ser emocionais. Precisamos ser racionais.

Em suma: Precisamos gerar conteúdo relevante.”

Nesse momento Lévy olhou teatralmente para a plateia, tipo olho no olho:

“E é bem aí que está a nossa oportunidade: ajudar aos clientes, com nossa experiência e criatividade a juntar novos elementos (habilidades) numa equação relevante com ideias criativas capazes de mudar a realidade dos negócios.”

Mas, como?

“No Grupo Publicis, estamos enfatizando nosso novo momento, nos posicionando não mais como uma holding company e sim uma connecting company:

Estamos colocando a inteligência mercadológica no centro do palco, com um novo arranjo, um novo produto chamado Sapient Inside, onde a Sapient Nitro lidera com pesquisa, planejamento e tecnologia e monta um hub com nossas agências criativas e de serviços de marketing.

Assim, acreditamos estar ajudando nossos clientes a redefinirem seus business-models, numa alquimia de elementos que combina nossas unidades de negócios de forma modular e exclusiva na busca de soluções geridas por especialistas de diferentes áreas, num pacote de grande valor, gerando ideias criativas capazes de mudar o mundo.”

Modelo?

“Precisamos ser uma operação mais aberta. Mais leve. Mais flexível. Mais ágil. Acessível. Assertiva. Inovadora.”

Fácil? Não.

Mas quem disse que ser publicitário era um passeio no parque?

 

Luciano Vignoli Luciano Vignoli é Diretor-Presidente e Planejamento da e21

luciano@e21.com.br