“Brazilian-Rolling”, a versão Miami do rolezinho

lucianoMinha filha, 14 anos, pratica natação competitivamente. Este ano, decidimos em família fazer um misto de férias e treinamento de alto nível para ela e fomos passar 15 dias na Flórida, mais especificamente em Fort Lauderdale, para que ela fizesse uma clínica de natação num swim-team americano.

Mas, filhos adolescentes &Flórida, são uma mistura explosiva:

Em primeiro lugar, visitar Orlando e seus parques vira uma questão quase que de honra (e despencar de elevadores; e andar em montanhas-russas insanas;e congelar em brinquedos molhadores; e enfrentar filas intermináveis; e…).

Em segundo lugar, visitar outlets e shopping-centers atrás de marcas como a Hollister, a Abercrombie& Fitch, Aeropostale, sem falar de Nike, Adidas, etc. é praticamente uma obrigação.

E é sobre isto que quero falar: Sobre nossas compras.

Quando digo nossas, digo minhas, suas e as de todo o povo brasileiro.

Explico melhor, contando uma historinha:

No primeiro shopping em que chegamos, ainda desavisados e um tanto desatentos, fui sumariamente atropelado por um jovem casal ensandecido, que trafegava em alta velocidade pelos corredores do mall carregando umas 25 sacolas de compras, todas encimando malas imensas, daquelas tipo baú, capazes de trazer toneladas de muamba, da boa.

Eis que a mala da moça atinge a mim de forma precisa e milimétrica, exatamente naquele ossinho lateral do pé, aquele que dói bastante, me arrancando um introspectivo “PQP!”, solitário, baixinho e entredentes…

Mas ela ouviu…

Virou-se para mim, pediu desculpas gentilmente, num português carioca típico, simpática, toda sorrindo, disse:

“É tanta coisa pra carregar que eu não enxergo nada! Desculpa…”

Desculpei, é claro.

E enquanto caminhava com a dorzinha no ossinho, me dei conta que talvez estivesse diante de um fenômeno social de proporções espantosas:

O rolezinho brasileiro no exterior.

Brazilian-rolling, posso chamar carinhosamente assim?

Um rolezinho-chique motivado pela mesma aspiração, pela mesma lógica (talvez, talvez…) dos rolezinhos nos nossos shoppings aí do Brasil.

Um rolezinho com as mesmas alegações e contrastes.

Tal qual muitos jovens de periferia, estava escrito nos olhos daquela moça:

“Durante anos eu não pude. Durante anos fui segregada. Durante anos eu sonhei com isto. E, agora, estou aqui. Eu só quero consumir! Eu só quero me divertir! Eu só quero as marcas que sempre sonhei!Eu quero ser chique. Da hora. Eu quero me sentir podendo. Por dentro.”

Polo Ralph Lauren.

Tommy Hilfiger.

Diesel.

Desigual.

Eles (nós) querem tudo.

E querem muito de tudo. Sacolas. Malas. Baús. Containers.

Tudo barato.

Mesmo com o dólar a quase R$ 2,50, as coisas insistem em continuar baratas.

Mesmo com o governo taxando a tudo e a todos, continua barato.

E eles (nós) continuam comprando.

A rodo. Matando a pau.

É o rolezinho em dólar.

Let´s have fun!

Let´s buy everything!

Let´s shop´n´roll!

(Continua…)

 Por Luciano Vignoli, Diretor-Presidente da e21.

Artigo escrito por Luciano Vignoli, sócio-diretor corporativo do Grupo MTCom e diretor-presidente e de planejamento da e21, publicado em sua coluna no Portal Adonline.

Artigo escrito por Luciano Vignoli, sócio-diretor corporativo do Grupo MTCom e diretor-presidente e de planejamento da e21, publicado em sua coluna no Portal Adonline.