Aprendendo a viver sem uma vaca a nos dar o leite nosso de cada dia

“A ciência não é uma vaca sagrada. A ciência é um cavalo. Não o adores, simplesmente alimenta-o…”

(Textos Judaicos)

Este artigo é uma espécie de continuidade ao artigo “As agências e a vaca sagrada da propaganda.” 

Vivemos tempos diferentes.

Tempos em que aquele que disser que sabe todas as respostas para todas as coisas que estão mudando no mundo da comunicação de marca ou está chutando ou está subestimando este momento de transformação.

Neste mundo sem referências sólidas e com verdades voláteis, dizer que nós, ditas agências de propaganda, temos que voltar ao básico pode soar simplista e irresponsável.

Temos é que ser vanguarda! E já estamos sendo.

Penso que é indispensável revitalizar e revalorizar a experiência das agências na geração de negócios e restabelecer a parceria estratégica cliente-agência baseada em um expertise que só as agências têm.

Eis a hora de valorizar a criação publicitária stricto-sensu.

Num mundo em que gera um conteúdo absurdo a cada segundo, buscar a excelência criativa na mensagem é uma grande maneira de tirar a marca da miséria lamaçal da irrelevância. Criado o link, entregar conteúdo.

Sim, ainda somos seres humanos e temos interesse nas coisas que nos interessam (se é que me entendem…). A forma? Sei lá. Tentemos tudo o que for capaz de gerar experimentações-medições-correções-novas medições-novas experimentações. Tudo em busca do resultado.

Nem sempre isto é possível. Assim, quando “erros” acontecem, o ideal é, à medida em que são reconhecidos, não insistir neles. Resta rever tudo. E rápido. E seguir em frente. Integrar tudo. Entregar tudo. Nós temos esta capacidade. Esta habilidade é um DNA nosso.

Agenciadores? Não. Integradores! Com a criação para as marcas como estrela-guia. Baita desafio, sem dúvidas.

Portanto, no que mais profundamente acreditamos para minimizar o impacto dilacerador dessa nova realidade de um consumidor Always-On, empoderado, conhecedor e cada vez mais exigente e atuante, é uma mudança absoluta nos papeis e nas rotinas dos profissionais que, juntos, geram soluções aos clientes.

Temos que criar times de trabalho que, quando transponham a porta da agência toda manhã, pensem não só “no que tenho que fazer hoje”, mas que pensem em “o que está acontecendo com os clientes hoje e em função disso, como ajudá-los a melhorar sua performance hoje?”.

E isso vai muito além de ficar monitorando redes sociais.

Isso passa por ter tempo – e tesão – para pensar omnichannel, para acompanhar a equipe comercial do cliente em suas rotinas junto ao trade, para usar de tecnologia para fazer análises periódicas da postura dos concorrentes, ou seja, não chegar na frente do cliente munidos somente de nossas convicções mas reforçando pontos-de-vista com as convicções dos clientes dos nossos clientes.

Penso que publicitário que atua no ar condicionado, atrás do computador somente, imaginando que de suas cabeças privilegiadas sairão todas as respostas de que o cliente precisa, está com os dias contados.

Mas como seguir em frente e dar contornos de realidade para um novo(sic!) negócio?

Fica pro próximo artigo.

 

Por Luciano Vignoli.